A noite estava chegando ao seu fim. Era possível ver os primeiros raios de sol do dia no horizonte. A floresta de Altaram estava silenciosa e calma, até que surgiu o barulho de passos apressados, que cada vez se embrenhava mais por entre as arvores e arbustos.
Só se conseguia ver um vulto pouco iluminado pela luz do sol das primeiras horas da manhã, que tropeçava nas raízes das grandes arvores e pisava em galhos secos. Após um tempo ele já se encontrava no fim da floresta onde já era possível se ver uma colina não muito alta onde só havia grama e pequenas flores. O sol já era visto pela metade no horizonte quando o vulto subiu a colina se tornando uma silhueta aonde se podia ver que era um homem não muito alto e aparentando ter uns quarenta anos.
O sujeito então para de correr tentando recuperar seu fôlego olhando para todos os lados como se estivesse sendo seguido. Neste momento um vulto pequeno e alongado voa da floresta e acerta o homem na perna, que grita de dor. Outro homem aparece da floresta carregando um arco de madeira na mão e se aproxima do sujeito alvejado.
- Sabe Bendran, eu te avisei para não correr. Disse o homem com o arco.
- Foi Gred que te mandou aqui atrás de mim, não foi? Falou o sujeito pausadamente com uma respiração pesada. Eu já disse que eu ia pagar o que estou devendo.
- Você sabe que eu só sigo ordens meu amigo e não posso fazer nada por você.
- Eu te pago o dobro que ele pagou só me deixe ir e não contarei isso a ninguém, eu juro!
- Que tipo de caçador de recompensas acha que eu sou? Gred me pagou adiantado e mesmo se não contar a ninguém que eu deixei você ir, isso acabará com minha reputação de nunca falhar. Desculpe Bendran, mas você terá que vir comigo.
O homem então pegou Bendran, tirou a flecha de sua perna, fez um curativo com um pedaço de sua camisa e o ajudou a se levantar e a andar até a cidade, onde no seu percurso houve duas tentativas de fuga. Chegando ao vilarejo, os dois homens foram até uma taverna pequena e abafada aonde se viam vários homens bêbados, dormindo nas mesas de madeira. O dono do bar, Gred, então chega e se aproxima de Bendran e do caçador e os convida a sentar. Após pouco tempo de conversa Gred pega o dinheiro que Bendran devia e manda soltar o sujeito, que sai mancando pela porta.
- Espere aí que eu irei te trazer o seu pagamento. Disse Gred ao se levantar e ir em direção ao balcão.
O caçador de recompensa então se inclina para traz com a cadeira e fecha os olhos por um momento. Então começou a ouvir uma conversa entre dois indivíduos que haviam acabado de chegar.
- Ouvi dizer que encontraram uma das esferas de Manthror na cidade cinzenta de Morlod. Disse um dos homens.
- Isso é só uma lenda. Respondeu o outro homem.
- Eu não sei, mas dizem que se você encontrar as cinco esferas, você terá a força e o poder de um Deus.
Gred então chega e diz:
- Bom, aqui está o seu pagamento como prometido, uma peça de ouro e três de prata. Bom trabalho Valin.
- Obrigado. Respondeu Valin, guardando as moedas em um saco de couro. Posso te fazer um pergunta, Gred?
- Claro, pode falar.
- Já ouviu falar das esferas de Manthror?
- Com certeza, elas fazem parte da história de Mithrinem. Não conheço muito sobre elas, mas conheço alguém que pode te ajudar. Ele mora no topo de Andrin, é um pouco maluco, mas passou a vida toda estudando sobre as esferas.
- Você tem um mapa até Andrin ou algo assim? Nunca fui tão longe assim do vilarejo.
- Você vai precisar de mais do que mapas para chegar a Andrin. É perigoso lá e mesmo você sendo um ótimo lutador não sobreviverá até o topo. Você precisará de ajuda. Outro caçador de recompensa está no andar de cima eu vou chamá-lo para te ajudar.
Gred se levantou de novo e subiu as escadas de madeira e voltou logo depois com um homem alto e com roupas surradas.
- Valin, esse é Lanton, ele conhece muito bem Mithrinem e vai te mostrar o caminho até Andrin. Disse Gred
- Bom, mas você sabe que vai haver um preço, não é? Disse Lanton
- Eu te pagarei uma peça de ouro pela ida e uma pela volta segura. Respondeu Valin
- Bom, por mim está excelente. Chame-me quando quiser ir, estarei esperando.
- Prepare-se para partir ao anoitecer. Te chamarei na hora certa.